Pedra

Em alguns lugares do mundo acredita-se que as edificações são vivas, resultante da simbiose entre o material orgânico dos operários que lá trabalharam com o matéria usada na estrutura. Sangue, unhas, cabelos, esperma, catarro e saliva em combinação com cimento, pedra e areia para formar seres gigantes, que crescem além das e árvores e das dimensões humanas, sustentados por poderosas estruturas de ferro, coberto pelo reflexo magnífico de vidros azulados.

Nesses lugares, erguem-se-se prédios enormes que apontam para o céu, mostrando o caminho para o criador. Os grandes artistas planejam pontes e marcos – estruturas inúteis, pensa o viajante estrangeiro, que não entende o sentido daquilo – para louvar a união do homem com a pedra.

Cidadãos correm aflitos a cada vez que um novo prédio está pronto, pela glória de serem os primeiros a adentrarem na bocarra das criaturas, olharem através de seus olhos envidraçados e se integrarem ao gigante, movimentando-se internamente como minúsculos glóbulos sanguíneos.

O construtor, mais que arquiteto ou engenheiro, mais que mero empreendedor, é rei e sacerdote. Do alto de sua janelas, nos últimos andares das torres, sorri com benevolência aos transeuntes que parecem rastejar sobre as calçadas. O peso da responsabilidade não o dobra e ele atira uma moeda distraidamente, pensando por um segundo quem iria acha-la, mas a imagem some rapidamente e então leva o copo de uísque aos lábios, estalando a língua com prazer.

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