Aeroporto

Quando eu tinha uns 16 anos queria viajar muito, rodar o mundo, ser um  nômade, uma pedra rolante, aquele único cara bronzeado em pleno frio siberiano.

Um belo dia comecei a trabalhar para uma produtora de video e me vi dirigindo e escrevendo uma série para a TV, o que me obrigava a andar de barco, navio, carroça alem de várias formas de voar, do helicóptero ao monomotor, passando por aeronaves comerciais das mais diferentes envergaduras.

Emendei os trabalhos de video com uma carreira como DJ e as viagens se intensificaram a tal ponto que houve época em que desejei ardentemente que tudo aquilo parasse, que minha vida voltasse ao normal… Mas já se haviam passado muitos anos e o “normal” tornou-se eu me acordar em algum quarto e levar uns segundos tentando lembrar onde estava, que palavra eu conhecia naquela lingua ou imaginar com que sabor diferente eu seria contemplado naquele dia . Meus sonhos tinham se tornado mais concretos do que jamais imaginei.

Tenho uma estranha relação com aviões e aeroportos, o que significa que me apavoro tanto quanto me encanto com a altura e a paisagem lá embaixo. Também gosto de observar as pessoas que circulam enquanto esperam o embarque, espantando-me por não estarem apavoradas como eu antes de entrarem numa máquina fechada e barulhenta que vai nos levar para alturas inacreditáveis. Como no melhor dos sonhos ou o pior dos pesadelos.

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